Este artigo pode estar vindo um pouco tarde demais (afinal, já estamos no começo de dezembro), mas creio que a premissa básica dele será valida para os anos seguintes, então vamos em frente!

Na semana passada, fui convidado para falar sobre a infame Black Friday brasileira em um programa de televisão de razoável visibilidade. Quando contei para os meus conhecidos que iria ao programa, um grande amigo (e educador financeiro muito respeitado) me chamou a atenção para um fato tão ridiculamente óbvio que eu não estava conseguindo enxergar: Janeiro, com suas típicas promoções pós-natalinas, vira uma espécie de “Black Month”, com boas ofertas e lojas não muito cheias (aliás, às vezes, bastante vazias).

De fato, com os descontos que foram ofertados nesta última Black Friday (sim, eu acompanhei), passo a acreditar que os descontos pós-Natal são iguais ou até melhores.

Até aqui, estamos falando apenas de presentes, mas os serviços também ficam indecentemente caros nesta época de Natal e Ano Novo. É uma época em que o equilíbrio entre compradores e vendedores “tomba” totalmente para o lado do vendedor, que, sabendo que o comprador está sob pressão (social, da família etc), aproveita para ganhar o máximo que pode, sugando até o último centavo do consumidor. Em janeiro ocorre exatamente o oposto: o movimento cai, as pessoas estão “curtindo suas novas dívidas” e pensando em como dar cabo daqueles compromissos financeiros típicos de começo de ano. É uma época difícil para o comércio e o poder passa para as mãos dos consumidores.

O Natal é complicado… Falamos mal dele, dizemos que é uma data comercial e que a comemoração perdeu quase completamente seu caráter espiritual (e é a pura verdade), mas não tem jeito, a gente sempre acaba cedendo às pressões. Somos arrastados (por bem ou por mal) para reuniões familiares, comemorações bizarras de “amigo secreto” em empresas, os filhos exigindo presentes e por aí vai. O Natal é uma data que muitas pessoas amam odiar, mas não conseguem passar sem ele…

Minha proposta é a seguinte: Resista à pressão e deixe para comemorar o Natal em janeiro, incluindo festa e presentes. Seja forte e resista! Escolha o dia que quiser, convide as pessoas (de preferência combinando previamente), troque presentes e faça a festa!

Sei que é uma proposta radical e que não é para qualquer um, mas se você não tem crianças na família (pois elas teriam dificuldade em entender esse “movimento tático”) e seus parentes e amigos têm um pouco mais de “mente aberta” (e bolso fechado), considere seriamente a possibilidade de comemorar em uma época em que as condições estão favoráveis para VOCÊ, e não para o comércio.

Feliz Natal… em janeiro!