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Quero começar este artigo com uma confissão. Aconteceu algo comigo, há poucas semanas, que me deixou profundamente envergonhado: Eu fui hackeado!

O motivo da minha vergonha é que eu me considero, dentro das limitações de alguém que não é (nem nunca foi) da área de TI, um cara mais ou menos “letrado” em assuntos de tecnologia e informática.

Sempre fui um sujeito meio obsessivo com a segurança das informações. Vou listar aqui algumas das coisas que costumo fazer para tentar, na medida do possível, me manter protegido.

Tenho, em minha casa (que é, em parte, meu local de trabalho), três computadores com discos internos de alta capacidade. Meus arquivos, dados e informações são “espelhados”, de forma não sincronizada, nesses três computadores. Alguns desses arquivos são criptografados. Além disso, tenho quatro HDs externos, de alta capacidade, que também espelham os discos internos. Um deles fica sempre fora, em um local seguro.

Não satisfeito com isso, eu uso, ativamente, seis serviços de guarda de arquivos “na nuvem” (os mais populares e também alguns mais “obscuros”, inclusive um chinês que me dá 2TB de espaço. Já implorei para a subsidiária brasileira dessa empresa chinesa oferecer em Português, mas eles não me levaram muito a sério…). Um desses serviços de nuvem sincroniza, automaticamente, com meu HD físico principal. Os demais são sincronizados manualmente (e nunca de forma simultânea), para evitar propagação em caso de algum “acidente”.

Além disso, mantenho todos meus antivírus atualizados e fazendo varreduras diárias, firewalls, serviço de gerenciamento de senhas (LastPass é meu favorito), uso “https”e por aí vai…

Mas, enfim… Há algumas semanas fui, casualmente, fazer uma operação bancária pela internet e o banco me “travou”. Entrei em contato com o suporte técnico do banco e a atendente insistia em dizer que eu estava tendo problemas com vírus, e eu retrucava: “Isto é impossível”!

Eu estava sendo direcionado para um site falso. Meu navegador não mostrava nada de estranho, os certificados pareciam estar todos certos. Depois de muita “bateção de cabeça” com a moça do suporte técnico, ela me mandou olhar o roteador WiFi… Bingo!

A despeito de todas essas providências, o “espertão” aqui se esqueceu de trocar as senhas do roteador e atualizar o “firmware”. Ainda estava lá o infame “admin/admin” como usuário e senha…

Fiz uma busca na internet e descobri que, naqueles dias, vários roteadores WiFi estavam sendo contaminados com vírus, explorando esse descuido dos usuários. Havia um furo (na verdade um “rombo”, e temo que haja mais alguns…) no meu esquema de segurança. Bom, atualizei o firmware, coloquei usuário e senha “decentes” e, enfim, problema resolvido. Apesar da vergonha e da vontade de me enfiar num buraco por alguns dias…

Depois disso, minha maior preocupação foi ver se algo parecido aconteceu com meus pais. Eles são clientes do mesmo banco que eu, têm o mesmo modelo de roteador e são infinitamente mais “tranquilos” (leia “descuidados”) que eu nessa questão da segurança. Felizmente, eles não foram contaminados. Tomei as devidas providências para resolver a falha e, espero, o assunto está resolvido (por enquanto…).

Até aí nada de mais. Estou aqui contando uma história possivelmente desinteressante para os leitores do blog e cuja relação com o tema “dinheiro” não está muito bem estabelecida. Porém, numa dessas coincidências meio surpreendentes, um dia após este “incidente”, eu fui entrevistado para um grande portal sobre “golpes e fraudes financeiras que afetam as pessoas mais velhas”.

Sabemos que as pessoas mais velhas são, de forma geral, um público mais vulnerável e muito explorado por golpistas e trapaceiros. Não pude deixar de pensar nos meus pais. Eles não são, nem de longe, o tipo de gente que tipicamente cai em golpes, mas eles sofrem de algo que afeta muitas pessoas mais velhas, inclusive nos extratos sociais, econômicos e culturais mais elevados: a famosa “exclusão digital”.

E não estou falando da exclusão digital motivada pela falta de acesso à internet ou falta de recursos econômicos para aquisição do hardware necessário, e sim aquela exclusão digital da pessoa que simplesmente “não gosta de internet” e tem certo desprezo por “modernidades”. Ou seja, o perfil típico daquele indivíduo que ainda tem certa resistência em aceitar que o mundo está ficando cada vez mais digital, e acaba sendo obrigado a fazer certas coisas via internet (como transações financeiras), mas não dá muita bola para as “boas práticas” e questões de segurança. Acaba, por desconhecimento, “pouca prática” e desatenção a detalhes, caindo em sites falsos para captura de senhas (“phishing”), clicando em emails com vírus, entre outras coisas.

É muito comum fazer um paralelo do uso da internet com a literatura, usando expressões como “analfabetismo digital”. Esse paralelo é muito mais forte do que podemos imaginar. Hoje em dia, uma pessoa não pode, simplesmente, se dar ao luxo de “não gostar de internet”. Isso equivale a “não gostar de ler” e traz uma série de consequências negativas na vida da pessoa. Ela se aliena do mundo, “fica para trás” e, em casos extremos, se torna ainda mais vulnerável a golpes, fraudes e vigarices.

Se você é uma dessas pessoas (eu suponho que não, do contrário não estaria aqui lendo um blog…), faça um mais que providencial “upgrade de si mesmo”. Se você conhece pessoas nessa situação (especialmente em sua família), faça o possível para que se incluam digitalmente e não se alienem do mundo moderno. É importante para a segurança deles (e também do seu dinheiro).

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